Divagações

Sobre a academia

Assisti hoje à banca de avaliação da tese de mestrado da nossa Diretora Executiva aqui na Timbira, a Ilustríssima Karin Keller, ou deveria dizer, Mestra Karin Keller. Apesar de eu não ter me enveredado na carreira acadêmica, sempre estive cercado de pessoas que estudaram muito e se dedicaram à pesquisa. Aí lembrei do impacto direto que isso teve na minha vida…

Quando eu tinha uns 11 anos meu pai estava escrevendo o mestrado dele, na Faculdade de Saúde Pública da USP. Além de sanitarista, ele era pediatra e dedicou a vida à pesquisa e combate à desnutrição infantil. Mas o curioso é que ele decidiu não escrever a tese de forma manuscrita e nem numa máquina de escrever. Então ele comprou um CP400, um brinquedo de 8 bits, mas que foi o suficiente para ele escrever a tese gravando em fita cassete! E claro, foi graças ao mestrado dele que a minha jornada na informática começou.

Anos depois, minha mãe escreveu sobre a experiência dela, na coordenação Movimento de Alfabetização de Adultos, projeto idealizado pelo Paulo Freire. Lembro que ela tinha dois empregos, um em São Paulo, outro em Santo André e ainda assim foi fazer o seu mestrado na UFF, em Niterói/RJ, viajando de ônibus toda semana para tocar o mestrado. Ficou claro para mim que escolher a UFF, mesmo com convites fervorosos de colegas da USP, foi um ato de coragem e sacrifício. E ao ver a sua defesa de mestrado, conhecer pessoalmente o orientador, ouvir as bancas, vi que se trata de estar onde é preciso estar. Lembro-me também do Euler Taveira, que se mudou de Goiânia para Porto Alegre para fazer mestrado em banco de dados, por motivo semelhante. E não se trata apenas de achar um bom orientador, uma cadeira que lhe acolha. É toda a vida universitária, os amigos, a convivência, a atmosfera do lugar. Minha mãe renasceu em Niterói.

Em comum as teses da minha mãe e do meu pai tinha algo que eu gosto muito de ressaltar na academia: relevância. Não foi um caminho da graduação para a iniciação científica, para o mestrado e doutorado, subindo a escadinha acadêmica e galgando as escadarias do poder das torres de marfim da academia. Quando você sai para ver o mundo, testa e vive coisas novas, e traz isso de volta para a academia, seu trabalho faz toda a diferença.

Assim é o trabalho da Karin Keller, minha mentora aqui na Timbira, que me ensina diariamente, me ouve e me dá broncas também! Depois de 15 anos como gestora na própria empresa e agora nossa Diretora Executiva, Karin vem trazer luz para a questão de gênero no entre as ‘startups’ brasileiras. Tema atual, relevante, e que ela respirou por vários anos na empresa que ela mesmo criou, a Klavo. Não vou me ater muito às questões técnicas da apresentação, nem vou arriscar fazer comentários toscos. Mas a banca deixa claro que há material ali para ir longe… portas que se abrem e muito o que se pode investigar.

E o todo esse trabalho de pesquisa e reflexão da Karin tem reflexo enorme na minha vida, na vida da Timbira. Todo esse arcabouço teórico e prático, toda essa reflexão aparece a cada reunião, em cada fala em cada ação. E assim vemos uma pesquisa acadêmica com “A” maiúsculo. Com relevância, impacto, e quiçá, com paixão. Se por um lado não me dediquei à academia, deixo aqui minha eterna admiração para aqueles que viveram a sua profissão, o seu conhecimento, a sua paixão na vida e trouxeram luz para ele, trouxeram à público e ousaram estudar, refletir e escrever. A contribuição dessas pessoas é um passo a mais, uma nova construção para a frase de Issac Newton:

“Se enxerguei mais longe, foi porque me apoiei sobre os ombros de gigantes”

Parabéns Karin, por ousar enxergar mais longe e se tornar, nesse processo, gigante também.

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