Há uns dias atrás eu li um post no Facebook daquelas poucas pessoas que eu conheço e admiro à distância. Nunca tive uma relação muito próxima, mas sempre acho que deveria. Enfim, admiro o trabalho e o posicionamento. Ele era “o cara que desenhava bem”. Fez mais de uma vez a capa do jornal do grêmio, que provavelmente fizeram muito mais sucesso do que o resto do jornal. Também fez o logo da nossa empresa, a Timbira, um trabalho pelo qual eu tenho um carinho enorme. Ele realmente manda muito bem. Enfim, nesse post ele discorre sobre os motivos pelos quais ele parou de desenhar. E isso me impactou de forma que eu não poderia prever.

Eis que hoje eu estava comentando na terapia como é bom poder voltar para a academia, mesmo com todos os cuidados, usando máscara etc e tal. Deixo aqui minha eterna gratidão ao pessoal da Equipe3, a academia que eu frequento que além de ser uma academia que eu consigo dizer que não detesto, montou um esquema de horário agendado, com espaço reservado, material de limpeza individual e descartável, etc, etc, etc. Chegar às 7h da manhã na academia definitivamente não é fácil. Tem dia que chove, tem dia que faz sol, tem dia que faz frio, tem dia que você quer que o mundo se phoda mesmo. Mas sair da academia é uma sensação incrível. O mundo fica mais leve. Depois de uns 2 meses a vida toda fica mais leve, mais flexível, e claro, eu perco peso. Mas a gente vive se sabotando. E sempre tem um bom motivo para faltar aquele dia, aquele outro, etc. Eu sei que me faz bem, mas é muito fácil parar. E a pandemia foi a desculpa ideal.

No começo da pandemia eu realmente fiquei com medo. E não foi só paranoia. Dia sim, dia não, ligava um cliente pedindo desconto. E vimos o nosso faturamento cair uns 40% de uma hora pra outra. O resultado é que eu parei com tudo que não era essencial, e nisso a academia foi a primeira a dançar. Além disso, minha relação com a academia é como São Paulo, quase todo mundo odeia e ama essa cidade. Bom, pra mim, é assim.

Foi um grande exercício para largar um emprego formal e acordar todos os dias e atender os clientes sem um chefe no cangote. Me dedicar a várias coisas da empresa como marketing, comercial, emitir notas, cuidar de contratos, etc e tal. Isso exigiu uma disciplina. Mas é uma disciplina meio imposta. Se não faz isso, morre na praia em menos de 6 meses.

Se você para de cuidar do seu corpo, você não morre em 6 meses, mas começa a sofrer e toda a sua qualidade de vida vai se perdendo, não importa o quanto sucesso você faça no trabalho.

Toda essa lenga-lenga, pra dizer que decidi voltar a escrever. Por puro prazer, por ser algo que eu gosto de fazer. Eu confesso que sou vaidoso com o que escrevo. Adoro ser lido. Eu escrevo para mim, mas escrevo para ser lido também. Podem me julgar. Mas além da preguiça que é o que me deixa muitas vezes longe da academia, eu tenho lá meus motivos para parar por tanto tempo…

  • Ter uma empresa, boletos e participar de comunidades de software exigem uma postura mais neutra. Nesse clima de extremos no nosso país se acirrando cada vez mais, se você assume ardorosamente uma posição, você pode sacrificar o seu negócio, pode sacrificar também a sua posição como mediador na comunidade.
  • Escrever muitas vezes tem a ver com experiências pessoais que eu acredite que são ricas para mim mesmo a ponto de querer compartilhar. Não tenho o menor saco de escrever texto motivacional e ficar costurando frases feitas. Ok, ok… eu sei. Eu uso chavão pra caraleo quando escrevo, mas para mim pelo menos é algo genuíno, é apenas um defeito de não saber expressar algo de forma mais original.
  • Escrever artigo técnico é chato pra cacilda. Dá um puta trampo pra fazer lab, testar, documentar, etc. E honestamente, o ritmo de trabalho acaba me tirando um pouco desse pique no dia-a-dia. Espero que volte o pique, como quando a gente passa a frequentar a academia por mais tempo e sai fazendo as coisas com menos esforço, como se fosse algo natural.

Enfim, provavelmente não vou escrever nada que preste por um bom tempo, mas quero tentar escrever pelo menos uma vez por semana. Algo que faça sentido para mim. Eventualmente pode fazer sentido para você também, eventualmente pode sair algo bom. Mas por enquanto, quero apenas voltar a escrever. Quero poder conversar com as pessoas. Sinto falta gente. Sinto falta de vocês. E tá na hora de voltar a fazer o que a gente gosta, mesmo que dê trabalho. Eu gosto pacas do meu trabalho, fazer bancos de dados rodarem mais rápido é divertido sim. Mas escrever… escrever pra mim é uma experiência e tanto.

E você, o que acha de deveria voltar a fazer?

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