Desbravando o mundo do Software Livre (parte 1)

Estes dias chegou uma turminha nova no trabalho. Todo o pessoal já traz muita experiência de outros lugares e eu espero aprender muito com eles ainda. No entanto, no que tange ao Software Livre, o contato deles ainda é pequeno. Estão todos fuçando aqui e ali, além de usar é claro!

Então resolvi deixar aqui algumas ideias de o que poderia ser um roteiro:

“Desbravando o mundo do Software Livre – dicas para profissionais de TI”

1 – Filosofia
Falar de Software Livre exige que você entenda alguns conceitos iniciais, recomendo que você leia pelo menos alguns dos documentos de cada ítem, particularmente a parte que fala da história do Software Livre. Muitas dúvidas e suposições equivocadas dos iniciantes podem ser evitadas lendo esta parte. Alguns documentos podem ser lidos superficialmente. A parte de licenças pode ser um assunto indigesto que pode ser postergado para momentos mais calmos, depois que você já estiver “usando” software livre e se integrando na comunidade. No entanto, fica o aviso de que o assunto sobre licenças é um tema polémico e explica várias atitudes dos diversos atores no cenário do Software Livre, que como veremos, é um universo bastante heterogêneo.

1.1 Um pouco de história
Ao contrário do que parece, o Software Livre já tem mais de 20 anos. Didaticamente, podemos dividir a história do Software Livre em 4 fases:
– Pré história, ou o surgimento dos hackers;
– Surgimento do projeto GNU, quando ocorre a fundamentação do Software Livre;
– Surgimento do Linux, quando o Software Livre se multiplica na Internet
– Abertura do código fonte da Netscape, quando o mercado corporativo se volta para o Software de código aberto.
Para dizer a verdade, começa com o surgimento dos hackers na década de 70.

1.1.1 O surgimento dos Hackers
O termo hacker sempre foi associado aos maiores talentos na informática. O Software Livre surge de talentos destas pessoas que além de um conhecimento profundo, tem por filosofia o compartilhamento deste conhecimento. Assim, o software livre já existia informalmente há muito tempo. Antes das corporações decidirem “fechar” o código de todos os software que desenvolve. Richard Stalman, foi um destes hackers que se cansou de ver os Software com seus códigos fontes não acessíveis, como era prática comum entre os hackers.
Hacker History;
Hacker (excelente definição do wikipedia)

O termo se manteve restrito às rodas de informática até meados da década de 90 onde a ascenção da Internet e do Software Livre degenerou o termo passou a ser usado no tom pejorativo pelo mercado corporativo – particularmente o mercado que sempre desprezou o Software Livre. Para se diferenciarem dos criminosos digitais, foi criado o termo cracker. Até hoje, no mundo do Software Livre, ser considerado um Hacker é ser considerado em alta estima pela comunidade.

1.1.2 O projeto GNU
Bem, todos já ouviram falar de “Software Livre”, “Software de Código Aberto”, Linux etc. Apesar de tudo isso parecer novo e até parecer tudo a mesma coisa, não é. A história toda começa em 1984 (lembra o livro “1984” do George Orwell…) com a publicação do “Manifesto GNU” que fundou o Projeto GNU. No site do projeto GNU, o seu idealizador, Sr. Richard Stallman, tem vários textos explicando os princípios do Software Livre. Vale a pena ler alguns dos principais textos citados abaixo. A leitura destes textos é um ponto de partida conceitual obrigatório para começar a entender que “Software Livre” não é a mesma coisa que “Software Grátis”.
Manifesto GNU;
Porque é que o software não devia ter proprietários;
Porque GNU/Linux?

1.1.3 O surgimento do Linux
Em 1990 o Sr. Linus Torvalds decidiu criar um sistema operacional baseado no Minix. Em agosto 1991 ele manda um e-mail para o grupo do Minix convidando as pessoas a participar de um novo sistema operacional que começara a desenvolver. Um mês depois foi lançada a versão 0.01 do Kernel Linux.
What is Linux?
Linux Online;
Linux Headquarters;
The Linux Kernel Archives;

Assim que o Kernel do Linux começou a amadurecer, houve um esforço de portar os software GNU que rodavam em UNIX e dependiam deste kernel para o novo Kernel do Linux. Quando isto ocorreu, foi possível montar um sistema completo utilizando apenas Software Livre.

Compilar o Kernel e depois cada software a ser utilizado era um processo muito trabalhoso, assim surgiram as primeiras “Distribuições GNU/Linux” que traziam uma maneira fácil para instalar um sistema operacional linux com diversos aplicativos, pré compilados para a plataforma Intel x86. Em 1993 surgem 3 grandes distribuições: o Slackware criado por Patrick Volkerding, o Projeto Debian criado por Ian Murdock inicia que recebe apoio em 1994 por um ano do Projeto GNU e a RedHat fundada por Marc Ewing. Destas 3 grandes distribuições são derivadas a maioria das distribuições conhecidas atualmente utilizando 3 sistemas de “empacotamento” dos software compilados.

1.1.4 Linux Busines
Em março de 1998, a Netscape decide liberar o código do seu navegador na Internet perder mercado para o Internet Explorer. Este foi o marco inicial onde uma série de empresas passa a enxergar o Software Livre como um movimento com um potencial comercial sério. Em julho de 2000 a Sun libera o código da sua suíte de escritório, o StarOffice, dando surgimento ao OpenOffice.org. Até então o Software Livre era tido como uma aventura de um pequeno grupo de programadores que jamais lançariam qualquer tipo de software capaz de competir no mercado. O fato é que grandes empresas como a HP, IBM e SUN passaram a investir no software livre, patrocinando projetos, liberando o código de alguns software e patentes e contratando desenvolvedores da comunidade. Um exemplo de como o mundo dos negócios se expandiu no mundo do software livre é que em dezembro de 2005 a RedHat passa a figurar entre as 100 maiores empresas de tecnologia na NASDAQ-100.
1.2 Licenças
Se você estiver querendo simplesmente “por a mão na massa”, pule os ítens 1.2 e 1.3!!
As licenças representam a área legal do Software Livre. Apesar de parecer uma área muito enfadonha, ela é muito polêmica e seu debate trouxe contribuiu para o surgimento de licenças livres para outras coisas que não software, como textos, música, vídeo, etc.

1.2.1 – Licenças de Software Livre segundo o Projeto GNU
O Projeto GNU como mostra nos textos acima, lança a público a idéia de se desenvolver o Software Livre. De fato encontra diversos Software Livres que de alguma forma foram ajudados pela Free Software Foundation, uma instituição criada para arrecadar fundos para financiar o Projeto GNU. Alem disso, o projeto GNU tem um papel histórico fundamental de criar um sistema de licenças livres, que garantam legalmente a liberdade do software. Para entender este conceito amplamente debatido até hoje, vale a pena perder algum tempo lendo outros textos no site do Projeto GNU:
Categorias de Software Livres e Não-Livres;
Várias Licenças e comentários sobre elas;
O que é Copyleft;
O problema da licença BSD;
Why “Free Software” is better than “open Source”;
Free But Shackled – The Java Trap;

1.2.2 Software de Código Aberto e a OSI
Alguns destes textos reflete um debate que surgiu no final da década de 90 quando a Netscape liberou o seu código fonte (depois que a Microsoft lançou o Windows 98 junto com o Internet Explorer) fazendo surgir o Projeto Mozilla, responsável pelo desenvolvimento do atual Firefox e Thunderbird. Nesta época, surgio a OSI, que defende licenças mais flexíveis sem o conceito de copyleft. Alguns artigos interessantes:
The Open Source Definition;
The Approved Licences;
Why Open Source Software / Free Software (OSS/FS, FLOSS, or FOSS)? Look at the Numbers!

De fato, a OSI passou a ser procurada por grandes empresas para validar licenças que elas criam para liberar seus produtos para a comunidade. Então, quando a SUN, IBM, Netscape, etc libera seus códigos fontes e a OSI aprova a seu modelo de licenciamento, dizemos que ele é um “Software de Código Aberto segundo a OSI” e assim ele é recebido de braços abertos pela comunidade, ou pelo menos por aqueles que se contentam com licenças, geralmente no estilo BSD.

1.2.3 As licenças livres fora do campo da informática
O movimento de Software Livre reaqueceu um antigo debate a cerca da universalidade do conhecimento. A idéia é de que o conhecimento não pode ser propriedade particular, deve ser compartilhado com toda a sociedade de forma a incrementar o arcabouço cultural humano. Desta forma surgiram propostas de criar licenças que permitam copiar e distribuir diferentes tipos de mídias, como páginas da Internet, fotos, textos, vídeos, etc utilizando licenças mais ou menos restritivas. A Creative Commons foi criada específicamente para atender este público, oferecendo diversos modelos de licenças traduzidas para várias línguas que podem ser utilizadas facilmente por qualquer um. Em novembro de 2005 o Google incluiu uma opção na suas buscas avançadas para procurar conteúdo na Internet com a opção “Direitos de uso” onde é possível selecionar conteúdo com licenças livres. Um exemplo excelente do poder das licenças livres é o Wikipedia, um projeto de enciclopéidia livre, produzida no estilo do Software Livre.

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1 comentário

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