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PostgreSQL: o banco de dados do ano, pelo segundo ano consecutivo!

Em janeiro de 2018, o DB-Engines (site com o ranking mais respeitável sobre bancos dados que eu conheço) publicou um artigo com os bancos de dados do ano, e o PostgreSQL estava finalmente em primeiro lugar. Com o maior crescimento de popularidade no ano, um aumento de 56 pontos ou 17%,  garantiu um primeiro lugar com folga!

Com os dados de dezembro, o PostgreSQL subiu cerca de 74 pontos até agora, ainda sem contar o último mês. Em segundo lugar está o MongoDB que cresceu 48 pontos até agora. Desta forma, a não ser que haja uma mudança radical na tendência, Teremos o PostgreSQL em primeiro lugar novamente, MongoDB em segundo e um terceiro lugar disputado entre Redis e Elasticsearch que nos próximos anos devem fazer o DB2 despencar de 6º para 8º lugar no ranking.

Tendências

Queda dos líderes: Oracle, MySQL e SQL Server

Olhando os gráficos de tendências vemos que os 3 líderes do continuam na frente com boa folga para o 4º lugar, mas com uma queda consistente nos últimos anos. O SQL Server se recuperou bem em 2016 com o lançamento da versão em Linux e uma política agressiva de preços para concorrer com o Oracle. Mas é claro que essa política de preços não durou muito, e quem migrou para SQL Server viu a conta chegar salgada logo depois. Em 2018, o Oracle caiu 58 pontos, MySQL caiu 156 pontos e SQL Server caiu 132 pontos. Em 5 anos, o Oracle caiu de 1516 pontos para 1283 pontos (~15%), o MySQL caiu de 1324 para 1161 (~13%) e o SQL Server caiu de 1313 para 1040 (~21%). Todos tiveram quedas acentuadas em 2018.

O crescimento dos bancos de dados livres

Eu sei que muita gente ainda diz que não existe substituto para uma base corporativa de grande porte como um Oracle Exadata… mas o mundo está mudando. E sempre mudou. Na década de 80 ninguém imaginaria que a IBM seria destronada e que a Apple viria a ser maior. E vejam, a IBM continua sendo líder entre os supercomputadores, vejam a lista do Top500 por exemplo. Ninguém está dizendo que os líderes não tenham tecnologias fantásticas, um baú cheio de patentes patentes maravilhosas e tudo o mais. Mas se você olhar a comparação entre bancos de dados proprietários X livres… vai ver que em 2019 o jogo vai virar. Há 5 anos a popularidade dos bancos de dados proprietários eram de 64%, contra 36% dos bancos de dados livres. Uma diferença de 29%. Hoje, temos 52% contra 48%, uma diferença de 4%. Em 2019 veremos a mesa virar. 

E na verdade essa mesa virou faz tempo. O que acontece é que não se troca de banco de dados tão facilmente quanto se troca de sistema operacional. Trocar de SGDB dá muito trabalho. Em geral isso acontece quando:

  • Você vai começar um novo projeto;
  • Você vai modernizar um sistema já existente e vai remodelar toda a arquitetura dele para uma nova plataforma, como em sistemas client/server;
  • O seu SGDB antigo já não atende mais suas necessidades, diante do crescimento das demandas;
  • Quando um novo cliente quer comprar seu sistema, mas exige que ele seja suportado em determinado ambiente;
  • Quando você vê a sua margem de lucro cair frente a outros outros competidores que já usam software livre.

Mudar um sistema já existente é um trabalho pesado. Na Timbira, ajudamos empresas a migrar para PostgreSQL com muito sucesso. Mas é sempre um trabalho de pelo menos 6 meses. O resultado é bastante encorajador, mas dá trabalho, claro. 

Em novos projetos, o crescimento do Software Livre é avassalador. A nuvem, os microserviços, a cultura DevOps, estão deixando a indústria de bancos de dados proprietários de cabelos em pé. Não é à toa que vemos o Sr. Larry Ellison (CTO da Oracle) fazendo ataques constantes à AWS. E convenhamos, a Oracle está comendo poeira feio quando o assunto é nuvem.

Uma coisa que eu sempre digo é: olhem para as startups. Atendemos várias delas, cada vez mais. São ambientes inovadores, descontraídos e onde só sobrevivem aqueles que tomam decisões inteligentes. Afinal, uma grande empresa sobrevive tranquilamente à decisões ruim de seus gestores. Empresas muito pequenas morrem num piscar de olhos. Olhem para as Startups que dão certo. O Skype, antes de ser comprado, usava (ou usa ainda, não sabemos) PostgreSQL. O Instagram: PostgreSQL. Nubank usa PostgreSQL e Datomic. Ifood, PostgreSQL e varias bases NoSQL livres. E por aí vai.

Say goodbye to Oracle!

A verdade é que gestores não gostam da Oracle. Ninguém quer ficar na mão do titio Larry. Eles tem uma tecnologia fantástica, verdade. Mas tem uma política de licenciamento, de vendas e de marketing que deixa qualquer gestor emputecido da vida. Eles já eram assim na década de 70 quando copiavam o System-R da IBM enquanto vendiam um sistema que ainda não existia (ok, isso era moda na época, a Microsoft também vendeu um SO para a IBM que não tinha).  Eles vão continuar no topo do mercado por um bom tempo. Sistemas grandes e antigos vão levar muito tempo para serem substituídos, assim como o COBOL sobrevive até hoje. Mas a maioria dos novos sistemas não usa Oracle!

A tentativa desesperada de empurrar clientes para a nuvem da Oracle é um sinal claro de que o barco está fazendo água. Boa parte dos usuários da nuvem da Oracle são pessoas que sofreram ameaças de multas milionárias por causa das armadilhas de licenciamento da Oracle, ou ganharam créditos astronômicos para usar tudo de graça ou quase de graça (e vocês sabem onde vai dar esse negócio de distribuir drogas de graça, né?). Por mais que a Oracle tenha concertado muitas das falhas graves na sua nuvem, a sua fatia nesse mercado é uma piada. Não importa o quanto eles esperneiem. E quando você quer escolher um banco de dados PaaS na nuvem da Oracle, adivinhe? Você só tem bancos de dados da Oracle! Acha que é normal né? Olhe para o lado e veja os líderes na nuvem: AWS e Azure. Ambos oferecem um amplo leque de serviços baseados em diversos bancos de dados, livres ou não. Não é por acaso que AWS e Microsoft investem pesado em PostgreSQL! Alias, ambas foram patrocinadoras do nosso PGConf.Brasil 2018

Lembram desta piadinha?

Então… quando perguntarem: “Onde ficam armazenados os dados na nuvem?”. Você poderá responder: “Em bancos de dados livres, meu filho!”

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