Retorno a ETELG

Em 1993 eu e mais alguns amigos que se auto-entitulavam os “hilanders” fizemos uma viajem que ficou para a história (as fotos estão esperando para serem digitalizadas faz um tempo…). Quando voltamos para a ETELG a fama dos lugares onde fomos ganhou vulto e algumas pessoas resolveram visitar os mesmos lugares. Recebemos notícia de que o lugar tinha mudado, tinham construído hotéis por lá quando antes só haviam campings. Descobrimos que antes nem camping havia por lá! Quem ia acampava selvagem mesmo. Por isso nunca mais voltei para lá. Para guardar a imagem que tinha de lá na época.

Hoje, fui há um desses lugares mágicos que eu não visitava há muito tempo. Não me lembro ao certo quando foi a última vez que pisei por lá, fazem bem uns 7 ou 8 anos. Quando entrei, ninguém me pediu crachá… bom sinal! Logo vi a falta que o esqueleto faz na paisagem… agora só tem mato por lá.

Entrando um pouco mais vejo as paredes pintadas e a grama aparada. O talude deu lugar a uns predinhos, o bloco 2 tem uma mini-fatec instalada agora. O DAL ou SOE onde a Ângela ficava agora está no bloco 3, junto ao clube de xadrez que sobrevive depois de ter sido quase esquecido. O refeitório não existe mais, mas a lanchonete continua lá. As quadras externas também estão lá. Fui procurar alguém para me ajudar na divulgação de um evento, o II Fórum Regional de Software Livre que estou ajudando a organizar. Não me deixaram entrar nas salas e a coordenadora do curso de PD não quis falar comigo. Como fui de manhã, descobri que o curso técnico só rola de tarde e não tinha nenhum professor de áreas técnicas.

Vi coisas que me deixaram mais tranquilos, o pessoal continua ficando sem aula, a galera fazendo tumulto do saguão do bloco 2, cabeludos tocando Raul Seixas no violão, etc. Mas ainda dá a sensação que é uma moçada muito novinha, que usa uniforme e não deita no gramadão num dia de sol como hoje! Um pouco estranho. A sala do grémio foi obviamente ocupada por alguma outra coisa, a biblioteca ocupa hoje o local onde era a sala de desenho técnico com aquelas pranchetas enormes. O laboratório de pneumática também já era…

Sinceramente, me sinto velho. Como nossos pais… é como aqueles que diziam na década de 60 que rock não era música… e hoje eu digo que o que tocam no rádio não é música… na ETELG é igual. Quando entrei, os que já tinham se formado diziam que no tempo deles é que era bom! Hoje vejo o estado atual e penso a mesma coisa. Mas tem algumas diferenças e quem foi do Grêmio como eu sabe disso. Já brigávamos naquela época.

E apesar de gostar na época de rock do anos 60 e 70, não prefiro a educação dos anos 70. Não tenho saudades da ditadura militar… Criaram o mito de que a década de 80 foi a década perdida, mas não sei se foi bem assim. A democracia avançou, a educação foi universalizada, os movimentos sociais cresceram e os militantes de esquerda lotavam as praças e avenidas! Tempos de glória, isso sim. A década de 90 sim… foi horrível, com o avanço escancarado do liberalismo.

Quem estava no grémio certamente se lembra de todo o jogo do governo federal e estadual no desmantelo das estocas técnicas estaduais. E deu no que deu. Nunca esqueço da capa do Estopim que o Etson desenhou, com a entrada da ETELG com uma placa “for sale”. E ninguém entendeu…

Houveram os que disseram que o grémio foi uma aventura que não deu frutos. E eu vi depois pessoas como a Lilica, Tatu, Denis, Uiran, Akira, Guedes entre tantos outros, brilhando em vários lugares por aí. Erramos muito no Grêmio, eu errei demais. Errei também no Estopim, criei brigas desnecessárias, desperdicei talentos. Quando os últimos discipulos da turma que fundou o Grêmio saíram, o grémio sucumbiu. Mas o aprendizado foi realmente fantástico, não foi?

Pra mim, a minha faculdade foi a ETELG, lá aprendi a brigar pelo que acredito, lá comecei a beber e fumar, deixei o cabelo crescer, aprendi a tocar violão (muuuito mal por sinal), lá comecei a namorar e encontrei a primeira grande paixão da minha vida. Como o Raveli dizia, entramos cheirando talco de bebê e saímos como homens preparados para enfrentar o mundo!!!

A ETELG marcou nossos corações. O Akira criou um site que fez muito sucesso com os contatos de ex-alunos. Hoje tem vários sites da ETELG e momentos inesquecíveis marcam a sua história. Lembro de alguns:
– O jornal pirata que era a coisa mais escrachada e divertida que fizeram por lá!
– A Oktoberete que deixou a ETELG inteira de fogo, e tem quem tenha ainda sua caneca guardada.
– As corridas de carrinho de rolemã, antes de colocarem as lombadas…
– A guerra entre ETELG e SENAI que deixou vidros quebrados por vários anos e começou com uma briga entre Mecância e Eletrônica
– O dia em que os professores de Eletrônica fizeram cordão na frente do bloco 5 e caíram na porrada com a Mecânica numa das famosas finais de campão!
– A guerra de água no último dia de VAs promovida pela galera do último ano.
– O 13 de maio em que a direção trouxe um ônibus lotado de policiais para “garantir a paz”.
– Os porres no terrinha e no bloco 7 (que tem uma respeitável lista de discução no yahoo)
– As reuniões secretas da comissão pró-grémio quando 2 armários apareceram arrombados (depois descobrimos que foi só uma brincadeira do povo mesmo)
– As passeatas em 92 quando a gente lotou o paço municipal e o CP subiu no palanque!

Estas foram apenas algumas histórias… os melhores amigos também nasceram por lá! O Denis é meu padrinho de casamento, o Tatu é padrinho do meu filho, a Tati ficou com o buquê do meu casamento… e as coisas não param por aí. Depois de tanto tempo vim morar justo em SBC… o Prof. Marcão teve sua filha estudando na mesma escola que meu filho. E ainda participamos juntos da APM da escola… resultado: marcão ficou um ano e foi embora e depois de que fiquei 2 anos a diretora e a vice foram convidadas a se retirar! Será que alguém conseguiu finalmente mudar a APM da ETELG?

No final deixei a ETELG para trás. Não tenho planos de voltar por lá tão cedo. Não consegui divulgar bem o evento, mas descobri que já tinha um cartaz num mural… e tinham desenhado uma touquinha no pinguim do cartaz! Fiquei feliz com isso, acho que vou tomar umas cervas para comemorar. Quem sabe não volto a frequentar a lista do Bloco 7? Saudades do povo, André com baby a vista, Uiran e Xuxa viraram professores universitários, Akira continua escrevendo suas histórias de RPG e eu continuo dando murro em ponta de faca, acreditando que podemos fazer alguma coisa de boa no mundo, como fizemos, no tempo que estudamos na ETELG.

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1 comentário

  1. Shigue Responder

    Andei procurando fotos, textos sobre a ETE no início dos anos 90 e achei o seu texto… mta saudade daquele época. Estudei lá de 1991-1L 1992-1L 1993-2K a 1994-3G. Abraço

  2. Maria Elisa Responder

    olá …
    gostei muito de ter encontrado o seu texto e nossa, acho que você não é o unico a sentir isso e, o mais interessante é que, em 1993 eu nem nascida era, entrei na ete em 2009 e hoje estou no começo do ano letivo do terceirão (como o povinho costuma dizer).. fiquei realmente intrigada. hoje eu olho para os então “bixos” e já digo que não é a mesma coisa etc. e tal
    imagina se você fosse lá , fiquei maravilhada de saber que vc viu o esqueleto do bloco 1, hoje no lugar dele há muito mato e um lugar que eu e meus amigos chamamos de clareira, as externas continuam lá , mas passaram por uma reforma no final de 2009 a qual o governo diz ter gasto 233.000,00 e não sei mais quantos centavos o refeitório é ,há um bom tempo, no bloco 3 e a lanchonete (comunmente chamada de lixo) é ao lado do campão, esse por sinal está abandonado e os unicos que o frequentam são os galos e galinhas.No bloco central ficam os roqueiros tocando seus violões, apesar de que isso também já está sumindo. o bloco dois fica lotado em dias de frio e nós continuamos tendo as aulas vagas. infelizmente eu sinto que a ete (hoje etec) não resistirá aos jovens de hoje e à falta de moralidade que vejo neles (infelizmente eu me incluo a esta geração) porém quando li seu texto percebi um certo “sentimento” ,digamos assim pois não achei outra palavra, um sentimento q também sinto,desculpe me pela redundancia, e me parece que apenas a ete me transmite isso, ela me transmite paz e, por que não esperança, me faz um bem chegar naquela escola e eu espero um dia fazer um relato sobre como foi meu tempo estudando lá e, algum aluno atual possa me contar as novidades. então, de certo modo ainda tenho esperanças de que esses sentimentos perdurem nos novos alunos e façam com que mantenham aquele lugar tão vivo como tem sido.
    obrigada
    abraços .

  3. Telles Autor do postResponder

    Bom ver um comentário novo aqui, ainda mais de quem ainda estuda por lá.

    Bem, se você leu este post e ficou com alguma ponta de curiosidades sobre os velhos tempos, vá até a biblioteca, pergunte sobre os jornais antigos feitos pelos alunos, como o “Piratas”, “NDA” ou mesmo o “Estopim”. Fica aqui a diga para matar o tempo numa aula vaga….

    Muito obrigado pelo depoimento.
    []s

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